Nas redes sociais, Eduardo Braide afirma que a denúncia acontece porque ele “não aceitou aumentar o próprio salário”. Já sindicatos e servidores dizem que o problema não é o prefeito receber mais, mas cumprir a lei que garantiria a recomposição salarial das categorias. Para os vereadores, Braide transformou um impasse administrativo em narrativa emocional para mobilizar sua base digital e pressionar a Câmara.
A denúncia protocolada na Câmara Municipal de São Luís contra o prefeito Eduardo Braide reacende o debate sobre o corte salarial de auditores e controladores municipais, que tiveram redução de R$ 37,5 mil para R$ 25 mil após decisão do Tribunal de Justiça do Maranhão em 2024. O impasse envolve o teto salarial do funcionalismo, que depende do salário do prefeito, e coloca novamente em pauta a relação entre gestão pública, legalidade e o espetáculo nas mídias sociais.
O conflito ganhou força após a aprovação da Lei nº 7.729/2025, que aumentaria o salário de Braide para cerca de R$ 38 mil, permitindo também a recomposição salarial das categorias afetadas. A lei, porém, dava ao prefeito o direito de renunciar ao próprio aumento. Mesmo assim, Braide decidiu ir à Justiça para impedir o reajuste, mantendo o teto mais baixo e sustentando os cortes aos servidores. A estratégia gerou críticas e motivou a representação por suposta infração político-administrativa e crime de responsabilidade.
Nas redes sociais, Eduardo Braide afirmou que a denúncia seria motivada pelo fato de ele “não aceitar aumentar o próprio salário”. No entanto, sindicatos e servidores argumentam que a questão não é o prefeito receber mais, mas sim permitir que a lei seja cumprida e que as carreiras retomem os vencimentos previstos.
Para os vereadores, Braide transformou um problema administrativo em narrativa emocional para mobilizar sua base digital e pressionar a Câmara.
O pedido de cassação ainda será analisado pelas comissões da Casa, enquanto os vereadores decidem se revogam ou mantêm a lei que atualiza o teto salarial municipal. A votação se tornou um dos momentos mais aguardados da política de São Luís.
A Câmara Municipal de São Luís Lançou nota sobre o assunto que dominou as conversas políticas da Ilha do Amor nessa semana.
NOTA OFICIAL
A Câmara Municipal de São Luís informa que recebeu, na última terça-feira (2), uma representação protocolada por um auditor fiscal aposentado, em nome de um grupo de aproximadamente 400 servidores municipais, que solicita a abertura de processo de cassação do prefeito Eduardo Braide por suposta infração político-administrativa e crime de responsabilidade.
O documento aponta alegado descumprimento de leis municipais em vigor, com destaque para a Lei n° 7.729/2025, que regula o reajuste salarial do chefe do Executivo e estabelece o teto remuneratório no âmbito municipal. A representação acusa o prefeito de não observar a legislação, ao mesmo tempo em que haveria realizado cortes considerados ilegais nos vencimentos de servidores, aposentados e pensionistas desde novembro de 2024.
A denúncia sustenta ainda possível seletividade no cumprimento das normas e prejuízos financeiros à administração pública, além de apontar suposto desvio de finalidade no uso de recursos, matéria que já tramita no Tribunal de Contas do Estado.
A representação foi encaminhada com fundamento no
Decreto-Lei 201/67, que dispõe sobre a responsabilidade dos Prefeitos, devendo a Câmara tramitar o feito observando os prazo legais, os princípios do contraditório e da ampla defesa, e a total transparência do processo.
A Câmara Municipal reafirma seu compromisso com a legalidade, a responsabilidade institucional e o respeito à população de São Luís, conduzindo todos os atos com equilíbrio, autonomia e rigor jurídico.
