Deputados já reuniram mais de 100 assinaturas para o pedido impeachment contra Lula, mas aprovação depende da Câmara
Parlamentares da oposição intensificaram as articulações para um pedido de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alegando crime de responsabilidade devido a irregularidades no programa social Pé-de-Meia. O Tribunal de Contas da União (TCU) bloqueou R$ 6 bilhões do programa por não estarem previstos no Orçamento nem terem sido autorizados pelo Congresso.
O novo pedido de impeachment já conta com mais de 100 assinaturas e reforça as acusações da oposição contra o governo Lula. No entanto, para que o processo avance, é necessário que o presidente da Câmara aceite dar andamento ao pedido.
Este não é o primeiro movimento para tentar afastar Lula. Desde o início de seu terceiro mandato, o petista já foi alvo de dezenas de pedidos de impeachment. O mais expressivo ocorreu no começo de 2024, quando 129 deputados assinaram um requerimento após Lula comparar a ofensiva israelense em Gaza ao Holocausto. O número superou o maior pedido de impeachment contra Dilma Rousseff, que teve 124 assinaturas em um dos 68 requerimentos apresentados contra ela.
Apesar do volume de pedidos, o recordista nesse quesito segue sendo Jair Bolsonaro, que enfrentou 158 pedidos de impeachment durante seu governo.
Papel da Câmara é decisivo para o impeachment contra Lula
O número de deputados favoráveis ao impeachment pode ser significativo, mas o processo só avança se o presidente da Câmara aceitar analisá-lo. Atualmente, Arthur Lira (PP-AL) ocupa o cargo e, até agora, não demonstrou interesse em pautar pedidos contra Lula.
Nos últimos dois anos da atual legislatura, a presidência da Casa deve ficar com Hugo Motta (Republicanos-PB), que conta com amplo apoio político e também não indicou intenção de abrir um processo de impeachment contra o presidente. Lula, ciente do risco, apoiou a candidatura de Motta apenas após garantir que o aliado não repetiria o papel de Eduardo Cunha (MDB-RJ) no impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.
Historicamente, nenhum impeachment ocorre sem forte pressão popular. O deputado Kim Kataguiri (União-SP), um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), afirmou que manifestações gigantescas serão essenciais para impulsionar o processo. Ele relembrou que, em 2015, os protestos contra Dilma reuniram mais de um milhão de pessoas na Avenida Paulista e ajudaram a consolidar o impeachment no ano seguinte.
Enquanto o MBL defende cautela na organização dos protestos, setores do PL já convocaram manifestações para 16 de março. A ideia é aproveitar o momento de crise do governo Lula, que enfrenta uma queda na aprovação popular.
Uma pesquisa recente da Genial/Quaest revelou que a popularidade de Lula segue em declínio. O principal fator apontado pelos entrevistados é o aumento dos preços dos alimentos, com 83% dos 4.500 entrevistados relatando impacto significativo no custo de vida.
Além disso, 66% dos entrevistados desaprovam a condução do governo no caso do monitoramento do Pix, que gerou polêmica após suspeitas de que poderia ser uma estratégia para arrecadar mais impostos.
Apesar dos problemas, a pesquisa indica que Lula ainda mantém 31% de aprovação nacional, número consideravelmente maior do que os 10% que Dilma tinha antes de seu impeachment. No Nordeste, onde Lula possui sua base eleitoral mais forte, a aprovação ainda é de 57%, o que pode ser um fator de estabilidade para o governo.
Lula também enfrenta dificuldades inesperadas, como problemas de saúde que aumentam as incertezas sobre sua capacidade de governar. Além disso, crises políticas e econômicas têm gerado sucessivos desgastes.
Nos próximos meses, a oposição tentará transformar esse descontentamento em um movimento sólido para pressionar o Congresso. A grande questão é se haverá apoio político suficiente para que um processo de impeachment seja de fato iniciado.
Fontes: Crusoe
