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Paraguai: bolsonaristas que compraram um sonho e se recusam a acordar

“O que o homem prefere que seja verdade, ele mais facilmente acredita.”
Francis Bacon, Novum Organum (aforismo 49, em tradução livre)

Na tarde de sexta-feira (6), Luciano Hang publicou uma “nota oficial”. Dizia que os últimos acontecimentos políticos no Paraguai “não mudaram em nada” sua opinião sobre o país.

Horas depois, o Senado paraguaio aprovou o impeachment de Santiago Peña. Em seguida, o agora ex-presidente foi preso, em regime domiciliar.

A nota envelheceu em horas.

Segundo a imprensa, tudo nasce da dissolução do Banco Ueno, o maior banco digital do país. Eram 2,9 milhões de clientes, cerca de 40% da população. O banco guardava recursos públicos, incluindo US$ 355 milhões da previdência. Peña foi acionista do grupo controlador até o ano passado. Relatos apontam ainda supostas falhas de supervisão do Banco Central.

Em julho, Hang esteve em Assunção. Voltou vendendo sonho para os bolsonaristas menos abastados intelectualmente, como se o Paraguai fosse uma vitrine: baixa carga tributária, liberdade econômica, um país “conservador nos costumes e liberal na economia”, aquela velha SURUBA IDEOLÓGICA, vivida por pessoas que tem preguiça de ler e vivem de opinião de youtubers…

A propaganda feita por Hang e outros bolsonaristas acabaram levando os brasileiros a chegarem a marca de 76% dos pedidos de residência no Paraguai no 1º semestre de 2026.

Hang diz que “escândalos acontecem em qualquer lugar do mundo”. É verdade. Aconteceu aqui, com o Banco Master. Mas este humilde escriba nota uma certa régua dupla, quando o escândalo é brasileiro, vira prova do fracasso do governo. Quando é paraguaio, vira prova de que “a democracia funciona”.

Instituições fortes não deixam milhões de clientes com contas bloqueadas, segundo a imprensa. Nem bombeiros voluntários com viaturas paradas porque, segundo a própria diretoria, US$ 313 mil estão congelados no banco.

Seria exagero dizer que a crise prova o fracasso do modelo tributário paraguaio. Ela prova outra coisa, que a propaganda vendia estabilidade sem mostrar a conta da supervisão.

Hang segue “procurando terreno” em Assunção. Talvez encontre.

Difícil é encontrar, do lado de lá, quem procure ame tanto o presidente quanto ele.

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

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