SEGURO-DEFESO EM PAÇO DO LUMIAR: O QUE JÁ SE SABE SOBRE O SUPOSTO ESQUEMA QUE PODE ENVOLVER VEREADORES
Blog do Joerdson aponta valores, bairros e uma estrutura de captação em uma denúncia bombástica ; o Crítica Cotidiana reconstrói a cronologia que antecedeu a denúncia
Uma reportagem publicada nesta terça-feira (11) pelo blog Joerdson Rodrigues detalha suspeitas de fraude no Seguro-Defeso em Paço do Lumiar que podem envolver ao menos três vereadores do município. A denúncia chega depois de uma sequência de sinais que o Crítica Cotidiana já vinha acompanhando, da movimentação da Polícia Federal na cidade à investigação sobre o funcionamento do INSS no estado.
O que o Jornalista apurou
De acordo com o Jornalista Joerdson Rodrigues, ao menos três vereadores de Paço do Lumiar estariam sendo citados em informações relacionadas a um suposto esquema de fraude envolvendo o Seguro-Defeso, benefício destinado a pescadores artesanais durante o período de restrição da pesca. Segundo os relatos obtidos pela publicação, um dos citados seria apontado como o principal articulador do suposto esquema, e teria cooptado outros dois parlamentares para atuar como intermediários na captação de beneficiários.
A dinâmica descrita pelas fontes ouvidas pelo blog seguiria uma lógica de captação e repasse: pessoas em situação de vulnerabilidade social seriam procuradas com a promessa do benefício, e parte do valor recebido seria posteriormente entregue aos supostos intermediários.
Os valores mencionados
Conforme os relatos reunidos pela reportagem, os dois parlamentares que teriam atuado como intermediários teriam recebido cerca de R$ 800 mil como gratificação pela cooptação de supostos pescadores, enquanto o articulador principal teria acumulado mais de R$ 5 milhões.
O blog também aponta que bairros como Cafeteira, Maiobão, Nova Vida, Zumbi dos Palmares e Luís Fernando aparecem nos relatos como áreas de concentração das pessoas supostamente abordadas. Segundo as fontes, a maioria das pessoas cooptadas nunca teria exercido atividade pesqueira ou de mariscagem.
Como o suposto esquema teria funcionado
A reportagem descreve uma estrutura em quatro etapas: captação de moradores com a promessa de vantagens, oferta de ajuda para obter o benefício por meio de supostos contatos dentro do INSS, cobrança de percentual sobre o valor recebido e concentração final dos recursos com os responsáveis pela articulação.
O Seguro-Defeso já está no radar federal
O tema não é inédito no estado. Em julho de 2026, a Polícia Federal realizou no Maranhão a Operação Fake Fisher, que apurou suspeitas de concessão irregular de 552 benefícios, com prejuízo estimado em R$ 3,7 milhões aos cofres públicos. Em setembro de 2025, o Ministério da Pesca e a Controladoria-Geral da União solicitaram à Polícia Federal a apuração de irregularidades na concessão do Seguro-Defeso em nível nacional, incluindo a atuação de atravessadores que cobrariam parte do benefício de pescadores legítimos.
O que ainda não está confirmado
Isso é o que precisa ficar claro: até o momento, não há confirmação pública de abertura de inquérito da Polícia Federal contra os vereadores citados. A própria reportagem do blog Joerdson Rodrigues reconhece essa limitação a publicação de uma denúncia jornalística não significa que a Polícia Federal já tenha aberto investigação contra os vereadores mencionados, e os nomes e valores citados devem ser tratados como informações ainda pendentes de comprovação.
A linha que o Crítica Cotidiana vinha traçando
Nenhum desses episódios nasceu isolado. A movimentação da PF no município, a investigação sobre a caixa-preta do INSS e agora a menção a parlamentares locais formam uma sequência que esta redação já vinha registrando antes de qualquer confirmação. A cautela permanece a mesma: entrar no radar de uma denúncia não equivale a ser formalmente investigado, e ser citado não equivale a ser responsabilizado.
