Na linguagem popular, “papagaio de pirata” é quem aparece só para fazer número “nos ombros” de autoridades, em Paço acabou virando um termo que moradores usam para criticar vereadores que abandonam suas funções para marcar presença política em entregas das quais não tiveram participação alguma efetivamente, como arroz de festa “com o qual ou sem o qual, Paço do Lumiar permanece tal qual”
Em vez de ocupar seus assentos e cumprir o papel para o qual foram eleitos pelo povo, vereadores de Paço do Lumiar protagonizaram, na última sexta-feira (20), uma cena lamentável que chamou atenção nos bastidores políticos da cidade. A sessão legislativa foi esvaziada, enquanto parte dos parlamentares se mobilizava para demonstrar apoio ao secretário de Educação, professor Fábio.
O movimento, visto por muitos como um gesto de submissão política, escancarou para a população uma inversão de prioridades. Em segundo plano ficaram justamente as funções básicas do mandato, legislar e fiscalizar, enquanto o foco se deslocava para a defesa de um aliado do Executivo em meio a um momento delicado de denúncias.
A pressão por apoio teria ganhado força após o secretário se tornar o centro de um episódio considerado por entidades da categoria como desrespeitoso com professores da rede municipal. A repercussão foi tamanha que o caso motivou, inclusive, uma nota de repúdio do sindicato da categoria, ampliando o desgaste e gerando questionamentos sobre a condução duvidosa e arrogante da pasta.
Nos corredores, o que se comenta é que a ordem do grande Irmão foi clara, era preciso mostrar alinhamento. Resta saber até que ponto esse tipo de postura atende aos interesses da população ou apenas reforça uma lógica antiga, meio que coronelista, onde o poder fala mais alto e o parlamento se curva.
No meio de tudo isso, fica um lembrete simples, mas necessário, vereador não é papagaio de pirata. Não foi eleito para aparecer nos ombros de autoridade ou reforçar discurso de secretário, mas para representar o povo, fiscalizar o Executivo e cobrar respostas. Quando troca o plenário por plateia, deixa de cumprir sua função e transforma o mandato em mera figuração, distante daquilo que a população realmente espera.
É preciso discernimento para entender que ser aliado não é ser submisso. Os poderes devem ser harmônicos, não simbióticos, e criticar não é perseguir. Sem questionamento, a vida perde seu sentido, como já alertava Sócrates.
LEIA MAIS
