Enquanto Aluísio perde, Allan Garcês tenta ganhar: a disputa silenciosa pelo voto quilombola no Maranhão
Movimentação do deputado com o Instituto iQuilomba acontece na mesma semana em que Aluísio Mendes irrita lideranças tradicionais ao defender ex-prefeito condenado por racismo religioso
Há um tipo de política que se faz na tribuna, aos gritos.
E outro tipo que se faz na antessala, em silêncio, com café servido e pauta redigida com cuidado.
Na mesma semana em que o deputado federal Aluísio Mendes (Republicanos) subia à tribuna da Câmara para questionar a Justiça maranhense em defesa do ex-prefeito de Rosário Calvet Filho, condenado por racismo religioso contra uma liderança quilombola, o deputado federal Allan Garcês recebia em seu gabinete a presidente do Instituto iQuilomba, Val.
- RELEMBRE AQUI: Quilombo de Miranda repudia defesa de Aluísio Mendes a ex-prefeito condenado por racismo religioso
Em pauta estiveram a agricultura familiar, saúde, educação e infraestrutura nos territórios tradicionais.
Este humilde blogueiro não afirma que um movimento é resposta direta ao outro.
Mas a coincidência de calendário é do tipo que a política sabe explorar.
Os números ajudam a entender por que nenhum parlamentar com pretensões eleitorais mais amplas pode se dar ao luxo de ignorar essa base.
Segundo o IBGE, o Maranhão concentra 2.025 localidades quilombolas, o maior número do país.
São mais de 269 mil pessoas autodeclaradas quilombolas, o equivalente a cerca de 24% de todas as comunidades quilombolas do Brasil.
São Luís abriga o Quilombo da Liberdade, tido como o maior quilombo urbano da América Latina.
Alcântara tem a maior proporção de população quilombola do país, próxima de 85% dos moradores.
Não é um eleitorado marginal.
É um eleitorado concentrado, organizado e, como ficou evidente esta semana, atento.
Imagem: blog do Marco Aurélio D’Eça
