FilosofiaReflexão

Papo de Filósofo | Os monstros da ansiedade e o medo de um futuro que não existe

Os monstros que habitam a nossa mente costumam ser muito maiores, mais barulhentos e assustadores do que qualquer desafio do mundo real. Como bem alertava o Filósofo Sêneca, nós sofremos muito mais na imaginação do que na realidade. A ansiedade humana possui uma capacidade quase infinita de projetar cenários trágicos, tragédias antecipadas e falhas catastróficas que, na esmagadora maioria das vezes, nunca chegam a acontecer. No entanto, o corpo e a mente sofrem o impacto como se tudo aquilo fosse real. Para desarmar esse mecanismo e recuperar a paz de espírito, a filosofia estoica desenvolveu exercícios práticos de higiene mental que servem como verdadeiras armas contra o sofrimento antecipado.

O primeiro e mais poderoso desses exercícios é a Premeditatio Malorum, ou a Premeditação dos Males. Enquanto a psicologia moderna muitas vezes foca no pensamento positivo, os estoicos faziam o oposto: eles recomendavam olhar direto para o abismo do seu pior medo. Em vez de fugir daquela preocupação que sufoca, sente-se e imagine detalhadamente o pior cenário possível acontecendo. O que aconteceria se você perdesse o emprego, se o projeto falhasse ou se aquela conversa difícil desse errado? Ao encarar essa realidade hipotética friamente e sem desespero, você começa a perceber duas coisas fundamentais. Primeiro, descobre que possui os recursos internos necessários para suportar e superar a situação. Segundo, nota que a realidade nua e crua nunca é tão terrível ou definitiva quanto os cenários apocalípticos desenhados pela sua ansiedade. O monstro perde a força quando você decide acender a luz e olhar para ele.

O segundo passo para neutralizar a ansiedade é a divisão dos fatos. A mente ansiosa é uma péssima contadora de histórias; ela adora misturar a realidade com suposições, julgamentos e exageros. Quando um evento acontece, o exercício consiste em separar o que é o fato bruto da narrativa barulhenta que a sua mente criou sobre ele. Se alguém não respondeu à sua mensagem, o fato concreto é apenas este: a mensagem não foi respondida. A narrativa barulhenta da mente é o que diz que a pessoa está zangada com você, que você fez algo errado ou que a relação acabou. Ao focar estritamente nos dados concretos e objetivos, você elimina o ruído emocional e para de reagir a fantasmas criados pela própria cabeça.

Por fim, quando os cenários trágicos insistirem em se manifestar, você deve lançar a sua âncora no presente. A ansiedade é uma doença do futuro; ela não consegue sobreviver no agora. Sempre que perceber sua mente viajando por estradas escuras de “e se isso acontecer?” ou “e se aquilo der errado?”, interrompa o fluxo de pensamentos com uma pergunta simples e direta: “Tenho esse problema exatamente agora, neste milissegundo?”. Olhe ao seu redor. Na maior parte das vezes, você descobrirá que está seguro, que tem um teto, que está respirando e que o problema catastrófico só existe no plano das ideias. Ao trazer a sua atenção de volta para o momento atual, você desarma as projeções futuras e recupera o controle da sua estabilidade emocional, permitindo que a vida seja vivida onde ela realmente acontece: no presente.

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

Alex filósofo

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

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