A alma sangra pelos olhos
Você só percebe quando chora
Há dores que não encontram palavras. Elas ficam escondidas em algum lugar entre o pensamento e o silêncio, acumulando-se lentamente, até que o corpo encontra uma maneira de falar.
Então vêm as lágrimas…
Talvez chorar seja isso. O instante em que aquilo que a alma não conseguiu dizer escapa pelos olhos. Não é fraqueza. Não é falta de controle. Às vezes, é simplesmente o corpo traduzindo uma dor que a linguagem não conseguiu alcançar.
A gente passa tanto tempo tentando parecer bem que se esquece de perguntar como realmente está. Sorrimos quando estamos cansados. Dizemos “está tudo bem” quando alguma coisa dentro de nós está desmoronando. Aprendemos a esconder o sofrimento tão bem que, muitas vezes, só percebemos sua dimensão quando ele finalmente transborda.
A alma não sangra como o corpo. Não deixa marcas na pele, não pede curativo, não aparece em um exame. Ela sangra em silêncio. E, de vez em quando, esse sangue se transforma em lágrimas.
Talvez por isso algumas pessoas chorem sem saber exatamente por quê.
Não é que não exista uma razão. Talvez existam razões demais.
E há momentos em que tudo o que conseguimos fazer é deixar os olhos dizerem aquilo que já não conseguimos explicar.
Porque algumas dores não querem uma resposta imediata. Querem apenas ser reconhecidas.
E talvez o primeiro gesto de cuidado seja justamente esse: parar de esconder o que dói.
Para Thays,
A gente percebe nos olhos aquilo que o silêncio não consegue explicar.
