A reação veio rápida
Depois dos bastidores de Brasília apontarem uma aproximação entre Lula e a campanha de Weverton Rocha, informações repassadas com exclusividade pelo jornalista Marco Aurélio D’eça, Felipe Camarão correu para reafirmar publicamente que “Lula só tem um palanque no Maranhão, o do PT”. A declaração foi repercutida por D’Eça e revela muito mais do que uma simples defesa política.
Ela revela uma espécie de incômodo.
Porque, na prática, Camarão sabe que política não funciona apenas no discursinho oficial feito em vídeo para militância em rede social. Funciona também nos símbolos. E Lula, gostem ou não uma parte da população, continua sendo o maior símbolo eleitoral da esquerda brasileira, quem estiver colado com ele ganha alguns votinhos na “rebarba” do barbudo.
O problema é que, enquanto Camarão tenta passar a imagem de exclusividade política ao lado do presidente, Lula parece agir de maneira bem mais ampla e oposta em termos. O petista sabe que Weverton possui base, capilaridade e trânsito político no Maranhão. E eleição se vence somando forças.
“Legalmente não existe palanque duplo. O Weverton pode pedir votos para o Lula, como qualquer outro candidato a qualquer cargo. Mas, juridicamente, o Lula só pode pedir votos para os candidatos do PT e dos partidos formalmente coligados conosco”.
— Felipe Camarão
A resposta de Camarão também revela outro detalhe importante, o vice-governador é advogado e escolheu reagir pela lógica jurídica.
Ao dizer que “legalmente não existe palanque duplo”, ele tenta separar a percepção política da realidade eleitoral. O problema é que, na política, muitas vezes a imagem fala tão alto que a própria lei se torna ineficiente diante da suposição que cada ato, declaração e foto pode criar.
