“Não temos nenhum diálogo interditado com o prefeito Eduardo Braide”, afirmou Márcio Jerry em entrevista ao hora News, sinalizando que a chamada esquerda caviar ainda não sabe se marcha com Camarão ou flerta com Braide
Márcio Jerry fala para quem já quer ouvir, sua própria plateia. Ao dizer que não há diálogo interditado com Eduardo Braide, o presidente do PCdoB no Maranhão não propõe uma aliança propriamente dita, sugere uma possibilidade. É um recado ambíguo, típico de quem quer agradar a militância e, ao mesmo tempo, não fechar portas com um prefeito que nunca assume se é ou não candidato ao governo, mas que pode ser a única opção de sobrevivência de seu grupo político.
O curioso é o tom. Os elogios à gestão de Braide, antes improváveis, agora surgem como ensaio de convivência e conivência política. Mesmo reafirmando a prioridade em Felipe Camarão, Jerry deixa no ar a ideia de que a esquerda pode se reorganizar em torno de quem esconde até que já se encontrou com eles, como se catinga de comunista desse azar. A coerência cede espaço ao oportunismo político.
Se Carlos Brandão cumprir o mandato até o fim, o campo político deixado por Flávio Dino fica sem uma máquina financiadora para a campanha. É aí que Eduardo Braide aparece como opção indireta, não por afinidade ideológica, mas por falta de alternativa clara. Márcio Jerry parece trabalhar esse cenário aos poucos, sem assumir compromisso, apenas deixando a possibilidade circular. Menos estratégia declarada, mais insinuação calculada.
