Felicidade não é o que você sente. É o que sobra quando a dor vai embora
Epicuro dizia isso há mais de dois mil anos, e ainda soa estranho
A gente aprendeu a buscar o prazer como conquista. Como acúmulo. Como algo que se persegue, se compra, se posta.
Epicuro discordava. Para ele, a felicidade não dependia de experimentar cada vez mais prazer, mas de alcançar uma vida livre daquilo que nos causa sofrimento. Aponia, ele chamava, a ausência de dor física.
E tem um segundo prazer, ainda mais raro: a ataraxia. A tranquilidade da alma. Um estado em que o medo, a ansiedade e as perturbações deixam de governar a existência.
Porque o medo, dizia Epicuro, é pior que a dor. A dor mora no corpo. O medo mora na alma, e de lá, contamina tudo.
Curioso que, quanto mais estímulo temos hoje, mais a ataraxia parece impossível.
Talvez a felicidade nunca tenha sido sobre o que se ganha.
Talvez seja sobre o que finalmente a gente deixa para trás e para de temer.
