Bomba em Paço do Lumiar, Diário Oficial revela que a SEMED já tinha registros sobre professor acusado de assédio infantil e só agiu após repercussão
Silêncio ensurdecedor de órgãos de proteção como Conselho Tutelar e Procuradoria da Mulher revolta famílias diante de denúncias
O caso que chocou pais e moradores de Paço do Lumiar ganhou um novo capítulo ainda mais grave. A própria Secretaria Municipal de Educação (SEMED), através de publicação no Diário Oficial do Município, acabou confirmando que já existiam registros internos relacionados à conduta do professor investigado por suposto assédio contra estudantes da rede municipal.
A Polícia Civil do Maranhão instaurou um inquérito para apurar denúncias de assédio sexual supostamente praticado pelo servidor dentro de uma unidade de ensino do município. Segundo relatos de familiares, o profissional teria adotado comportamentos considerados inadequados com alunos, incluindo abordagens impróprias e compartilhamento de vídeos. As denúncias apontam ainda que os episódios seriam recorrentes e que o professor já teria sido transferido anteriormente de outra escola diante de acusações semelhantes.
O que revoltou ainda mais a população foi o conteúdo da própria portaria publicada pela SEMED. No documento, a secretaria reconhece a existência de “registros”, “relatórios”, “comunicações” e manifestações da gestão escolar relatando supostas “condutas funcionais inadequadas” do servidor. A publicação também afirma que os fatos poderiam configurar violação dos deveres funcionais previstos na legislação municipal.

Na prática, o Diário Oficial desmonta a narrativa de que o problema surgiu apenas agora. O documento mostra que já existiam sinais internos sobre a situação antes da repercussão pública. Mesmo assim, segundo críticas de familiares e moradores, nenhuma medida mais dura havia sido tomada até o caso explodir após reportagem da TV Cidade.
A pressão popular e a repercussão na imprensa acabaram forçando uma resposta oficial. Somente após o caso ganhar destaque, a SEMED publicou o afastamento cautelar do professor por 30 dias enquanto ocorre o Processo Administrativo Disciplinar (PAD). O episódio agora levanta questionamentos pesados sobre a atuação dos órgãos responsáveis pela proteção de crianças e adolescentes no município.
A indignação aumenta pelo fato de a escola onde tudo teria acontecido ficar próxima ao Conselho Tutelar, à Delegacia de Polícia Civil e à própria Câmara Municipal. O silêncio institucional também passou a atingir a Procuradoria da Mulher da Câmara, que até o momento não se pronunciou publicamente sobre os supostos casos de abuso envolvendo crianças e adolescentes da rede municipal. Para muitos moradores, a ausência de posicionamento reforça a sensação de omissão diante de um episódio considerado grave e que já causa revolta entre famílias do município.
