Crítica de Quinta| De menina dos olhos a dor de cabeça: o programa educacional que virou vexame
Na antiga Vila da Luz, o palácio havia anunciado, com trombetas e pompas, o seu grandioso programa educacional. Diziam ser a joia da coroa, a iniciativa que iluminaria o reino e eternizaria o nome de seus criadores nos pergaminhos da glória eterna. Houve faixas, aplausos, discursos emocionados e, claro, muitas fotografias e vídeos cuidadosamente calculados.
Mas bastou a fumaça das cerimônias baixar e as cortinas do teatro se fecharem para que a realidade começasse a aparecer. Os relatos vindos de dentro do próprio castelo de cartas falam de salas vazias, núcleos desertos e coordenadores andando de um lado para o outro como generais tentando recrutar alunos apenas para fazer número. Dizem que o poderoso senhor do ouro negro anda cuspindo fogo pelos salões após descobrir que, em certos núcleos, apareceu menos gente do que em reunião de político sem mandato.
Em um núcleo recém-inaugurado, contam que a cerimônia parecia um desfile imperial. O problema foi encontrar povo suficiente para preencher o cenário.
Na Cafifa, o silêncio das salas era tão grande que quase se podia ouvir o eco dos antigos discursos batendo nas paredes.
Em um dos espaços, apenas dezenove crianças apareceram. Dezenove… nesse a coordenadora levou uma mijada…
No meio do caos estaria o pai da criatura, coordenador da iniciativa que já não anda bem das pernas. E todo pai conhece aquele momento doloroso em que percebe que o filho talvez não sobreviva às provas da realidade fora da propaganda de Instagram.
Os rumores dizem que a pressão já virou companhia diária dos encarregados de manter o projeto respirando por aparelhos. Porque existe uma regra cruel da qual ninguém consegue fugir, o reino federal só envia moedas enquanto houver alunos suficientes para justificar os pergaminhos burocráticos.
…Sem estudantes, a matemática não bate…
