De favorito ao Senado a político isolado: o preço da ruptura de Fufuca
Há uma máxima que os políticos experientes conhecem de cor, mas insistem em ignorar na hora H: não basta ter aliados, é preciso merecê-los. O que Marcus Brandão revelou ao blog Tribuna 98 não é apenas o retrato de uma ruptura, é o diagnóstico de um suicídio político cometido com pressa e justificativa vaga. O grupo brandonista havia consolidado um consenso em torno do nome de Fufuca para o Senado. Pedro Lucas Fernandes e até Roseana Sarney, que lidera todas as pesquisas para a Câmara Alta, abriram mão de suas candidaturas em favor dele. A vaga estava posta. A base, construída. O caminho, pavimentado.
Marcus Brandão chamou Fufuca, mostrou pesquisas apontando grande chance de vitória pelo grupo governista e o advertiu de que seus apoiadores não concordariam com uma eventual saída. A resposta do ex-ministro, segundo informações divulgadas, foi invocar um “pedido”, de alguém cujo nome ele não quis revelar, como justificativa para deixar a base. Fufuca tinha plena ciência do apoio unificado, mas justificou seu afastamento alegando ter recebido esse pedido de uma liderança não identificada. Este humilde blogueiro não sabe dizer quem sussurrou tal instrução ao ouvido do ex-ministro. O que se sabe é o resultado.
Dos 100 prefeitos que declararam apoio a Fufuca, 90 já ligaram para Marcus Brandão afirmando que não irão acompanhar o ex-ministro. Outros relatos elevam esse número a 95. Entre as consequências imediatas, Diego Rolim foi exonerado da presidência do Detran-MA, e o presidente do União Brasil, Antônio de Rueda, reafirmou que o caminho da federação no Maranhão será apoiar a pré-candidatura de Orleans Brandão. A geometria eleitoral, como a geometria euclidiana, não perdoa ilusões: a votação de Braide em São Luís, na avaliação de Marcus, não se transfere para Fufuca numa disputa pelo Senado.
Marcus Brandão classificou a saída como “uma das maiores punhaladas pelas costas” recebidas pelo grupo, após quatro anos de composição conjunta. Com base em levantamentos internos, o ex-presidente do MDB avaliou que Fufuca está em queda comprovada nas pesquisas, e concluiu que ele “deu o maior tiro no pé da vida dele”. Resta ao ex-ministro, agora, a tarefa mais difícil da política: reconstruir, sem máquina, sem base consolidada e com uma justificativa que ninguém sabe de onde veio. O “pedido misterioso” pode ter custado um Senado.
