Deputado afirma que foi barrado por lideranças nacionais após apoiar investigações sensíveis e critica o que chama de política de interesses, onde promessas de independência dão lugar à negociação de mandatos
Faltando menos de 100 horas para o fechamento da janela partidária, o deputado federal Duarte Jr. expôs um cenário que vai além da simples troca de partido. Sem legenda definida para disputar as próximas eleições, o parlamentar afirmou estar sendo alvo de um “consórcio de caciques” que, segundo ele, atua nos bastidores para impedir sua filiação.
A declaração foi feita durante entrevista ao quadro Bastidores da TV Mirante, onde Duarte ligou diretamente esse bloqueio à sua atuação recente em Brasília. Ele cita, de forma clara, seu apoio a investigações sensíveis, como a quebra de sigilo em casos envolvendo o Banco Master e suspeitas de fraudes no INSS. Para o deputado, não se trata de coincidência. É retaliação.
Nos bastidores, o veto teria endereço. Siglas como União Brasil e PP, segundo Duarte, teriam fechado as portas por influência de lideranças nacionais, entre elas o senador Ciro Nogueira.
Nesse ponto, o discurso deixou de ser apenas político e ganhou tom de enfrentamento. Duarte Jr. não falou só de legenda, falou de coerência. Reforçou que tem trajetória fora da política, família, profissão, e que não depende de mandato para se sustentar. E subiu o tom ao criticar o que considera uma prática comum nos bastidores, gente que promete independência, mas acaba negociando voto e posição quando chega a hora de decidir.
A menos de quatro dias do prazo final, o caso escancara uma pergunta incômoda. Em um sistema que se diz democrático, quem realmente decide quem pode ou não disputar uma eleição?
