A repetição histórica como política externa dos Estados Unidos

Conflitos recentes mostram que a força continua sendo usada sem resposta para o dia seguinte

Os recentes ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã não são um episódio isolado na história, mas mais um capítulo de uma longa tradição de intervenções externas no Oriente Médio. Desde meados do século XX, a região foi transformada em tabuleiro estratégico por potências que buscavam garantir influência política, acesso a recursos e controle geopolítico. O problema é que, historicamente, essas ações quase nunca foram acompanhadas por projetos sólidos de reconstrução política. O resultado costuma ser a mesma sequência, derruba-se uma estrutura de poder sem resolver as contradições que a sustentavam, criando instabilidade duradoura em vez de soluções.

Do ponto de vista filosófico, esse tipo de ação revela um dilema clássico entre soberania e força. Estados agem em nome da segurança e do interesse próprio, mas, ao fazê-lo, violam o princípio da autodeterminação de outros povos. A guerra, nesse sentido, aparece como uma expressão da incapacidade política de lidar com conflitos complexos. A violência desorganiza sistemas, mas não cria, por si só, uma nova ordem capaz de se sustentar sem coerção permanente.

O caso iraniano é ainda mais sensível porque seu regime se estrutura sobre uma identidade histórica profunda, marcada pela Revolução Islâmica, pelo discurso de resistência ao Ocidente e por um aparato institucional que mistura religião, política e forças armadas. Imaginar que a eliminação de figuras centrais produziria automaticamente uma mudança de regime ignora essa densidade histórica. A política não funciona como uma engrenagem mecânica em que se retira uma peça e todo o sistema colapsa. Mesmo sob ataque, as estruturas tendem a se reorganizar, muitas vezes de forma ainda mais radicalizada.

Alex filósofo

O jornalista Alex Filósofo (DRT: 2255/MA), professor e apaixonado pela Filosofia, também é empreendedor, blogueiro e graduando em Marketing Digital. Além disso, se destaca como ativista social e cultural. Sua formação intelectual, influenciada pelos pensamentos de grandes nomes da filosofia e da política, resulta em uma crítica sempre desafiadora e esclarecedora.

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