Parodiando Júlio César, Consul Vitalício romano, “é melhor ser o primeiro no Maranhão do que o segundo em Brasília”
Na entrevista à coluna Radar, da Revista Veja, Brandão não apenas comentou o cenário eleitoral, tentou organizá-lo, antecipá-lo . Ao afirmar que a tendência é de neutralidade do presidente Lula na disputa estadual, ele subliminarmente estabelece uma regra antes da partida começar. Não descreve o jogo, redesenha o tabuleiro da maneira que gostaria que se concretizasse.
Esse movimento tem objetivo claro. Brandão trabalha para viabilizar a candidatura do sobrinho Orleans Brandão, enquanto o vice-governador Felipe Camarão segue como projeto do PT. Se renunciasse ao cargo, entregaria a máquina administrativa ao Camarão e colocaria seu próprio candidato em desvantagem. A neutralidade federal, nesse contexto, funciona como proteção estratégica.
Ao abrir mão do Senado, desejo atribuído a Lula, o governador escolhe permanecer onde a sucessão pode ser controlada. Prefere dirigir o processo a assistir de fora. É menos sobre cargo e mais sobre comando, Parodiando Júlio César, Consul Vitalício romano, “é melhor ser o primeiro no Maranhão do que o segundo em Brasília”
Há nisso um princípio clássico da estratégia. Sun Tzu dizia que a melhor vitória é aquela conquistada antes da batalha. Brandão parece agir assim, tenta vencer antes do primeiro voto, reduzindo o imprevisto e ampliando sua margem de manobra. Por isso o xadrez faz mais sentido que as damas, o jogo não é de avanço direto, é de antecipação.
